História de Pescador  ©Escrito e ilustrado pou Kiki Hamann       

 Alzira Zulmira me contou mais uma história, história de férias, coisa muito séria! Então escute com atenção a historinha do João Pedrão, um pescador valentão que tinha unha de leão e medo de tubarão!  E como sempre, pode acreditar, porque quando sai da boca da Alzira Zulmira, é verdade verdadeira sem eira nem beira.

Tudo se passou num certo dia tal de janeiro, ou talvez fevereiro, quem sabe?  Mas era verão, estava um calorzão e Ziroca, foi passar férias na praia.  Epa, eu falei praia? Aquilo não era uma praia qualquer, meu Bem Me Quer !  Era Toque-Toque, Não-me-Toque, ou  um outro paraíso qualquer, onde ela comeu muito gnocchi! Era uma casa italiana da Tia Giovanna, mulher do Tio Joca, irmão da Dona Maroca.  Agora que a família já foi explicada, vamos voltar ao João Pedrão, primo da Alzira e exímio pescador, corredor, nadador, embromador, comedor de macarrão que faz ficar forte e crescer grandão!

João Pedrão já esperava na porta quando Alzira chegou de mala e cuia, toda equipada para caçar tubarão. Com vara na mão e toda disposição, falou logo entusiasmada:

           - “ Oi primo, que saudades! Mal vejo a hora da gente sair para pescar! 

                É por aqui ou é por lá?” 

João foi logo examinando o equipamento e respondeu:

 - “ É num lugar secreto, na sub-caverna submarina sub-aquática e sub-náutica, em baixo da sub-areia onde é melhor nadar de meia, se não quiser ter o pezinho sub-stituído” 

Tia Giovanna, interrompendo a sub-conversa, puxou Alzira pela orelha, fazendo um zumbido de abelha, hmmmmmm, e falou: 

- “Alzira Zulmira, aqui é uma casa Napolitana, quando a gente chega de tão longe é costume cumprimentar antes de querer sair por aqui e acolá!”

           - “Oi Tio, Oi Tia, há quanto tempo eu não os via! “

 Disse Alzira cheia de si, achando que o cumprimento estava de bom tamanho e a questão resolvida. Eis que de repente, assim do nada, Tia Giovanna num abraço avassalador, ergue Alzira do chão e começa a beijação! Alzira com as perninhas no ar, e já sem fôlego, resolve retribuir de pronto os beijos como quem defende a própria vida, afinal de contas, a Tia era muito querida!

          “Joca, olha como ela esta magrinha! Desnutrida, encolhida, pobre criança

              sem pança!”

 Tio Joca, já conhecendo bem os carinhos Italianos, socorre Alzira dos abraços da Tia Giovanna, chamando todos para comer lasanha!

 E a lasanha, durou uma eternidade.  Tudo parece nunca acabar quando a cabeça esta em outro lugar.  Alzira ja fazia planos, pensando em pescar tubarão, tubaroa, tubarinha, tudo com a sua varinha!  Estava feliz, perto do mar, livre para sonhar e pescar e especialmente ganhar do João, no concurso de quem pesca o maior tubarão!

   “João eu estive pensando aqui com os meus botões.  Vamos fazer uma competição para ver quem pesca o tubarão mais grandão?”

 João Pedrão ouviu a palavra que ele mais temia na vida e por um minuto sentiu-se um João Pedrinho e foi ficando pequenininho, pequenininho até que re-pensou e falou!

            “Ora prima, você nem é capaz de pescar uma sardinha de linha e já

                começou com a  ladainha de querer ser a rainha!”  

 - " Eu, rainha, imagina! Estou aqui para aprender com o mestre! E se passar no teste... quem sabe meu dia há de chegar! 

Disse Ziroca, apelando para a vaidade de pescador do João sabendo que ele não iria resistir a tentação.

            “Está muito bem aprendiz de pescadora, amanhã bem cedinho, vamos sair

               para pescar! Agora fecha os olhinhos e pesca carneirinhos!” 

Alzira estava nas nuvens! Para uma caçadora de minhocas, pegar tubarão era coisa muito chique. Dava até tremelique! 

Ainda era noite quando Alzira foi acordada por João.  Deu um grito e se enfiou em baixo da cama pensando estar vendo assombração!  Espiou pelo cantinho do olho e avaliou a visão!

  • Unha de Leão. Confere

  • Nariz melequento, que nojento. Confere

  • Cabelos de cachinho, que bonitinho. Confere.

  • Linha, linhada, anzol, vara, balde, isca, rede, cantil para matar a sede. Confere.

E agora o teste final.  Alzira gritou com toda a força do fundo seu pulmão:

           - “Lá vem o tubarão!”

 Era de fato o João.  O nosso pescador saiu correndo e passou de assombração a assombrado. O sangue italiano ferveu na veia e ele respondeu:

         “Sua Sub-Sereia, você quer ou não quer ir pescar?”

 Alzira, vendo a cara de bravo do João, resolveu não discutir e se ajeitou de pressa e foram nessa.  Saíram pela porta e João parou e ficou ali, olhando para o nada, paradinho da Silva.

         -  “João, cruz credo, você esta parecendo um morto vivo.  Fala alguma coisa!” 

- “Shhhhhh! Silencio, estou concentrado analisando e pensando.” 

- “Analisando o quê?” 

- “Analisando o tempo, ora bolas!”

 Disse João pasmo com tamanha a ignorância da prima. Coitada, pensou, não teve infância.  Deram alguns passos chegaram na praia e João parou outra vez. 

- “E agora João você está analisando o quê?” 

- “Estou analisando a areia, sub-sereia!” 

João respondeu irritado e sentou no molhado. 

 - “E agora?” 

 - “Agora estou cansado! Não esta vendo como estou suado, pescar é muito cansativo!  Ainda bem que sou muito ativo!” 

Alzira sentou-se ao lado do João e resolveu prestar atenção. João olhava para o mar, olhava para a vara de pescar, olhava para a areia, para a sub sereia, olhava para isca e pisca e pisca e de repente não olhava mais nada. Era mais uma etapa da pescaria.  Cochilo de pescador.  ZZZZZZZZZZZ Alzira contou as estrelas, contou até dez, contou carneirinhos e acabou oficialmente se tornando uma pescadora. ZZZZZZZZZZZ 

O céu estava um negrume só! Um breu! Um pretão mais preto que asfalto novinho. De repente uma voz grave sai de dentro do mar: 

- “Peguei!” 

- “Pegou o que? Você nem acordado está!” 

Alzira olha para o lado e vê o João analisando o sonho, outra etapa da pescaria. 

-  “Uai, socorro, quem está falando?” 

- “Sou eu, o Tuba Não-me-Toque, o tubarão mais famoso de Toque-Toque!  O apavorante, o mais temido, o fugido, foragido e fora da lei!”  

E o tubarão abriu o bocão, mostrando seus dentinhos tão branquinhos! 

- “Seu Tuba, com todo respeito o senhor vai me desculpar... Mas o senhor esta com um bafo de bode de amargar! Palavra de Sub-Sereia!” 

- “Bafo de bode? Onde já se viu criaturinha mais ousada.  Ainda esta na hora de fugir para não levar uma dentada.” 

- “Sei não, estou sentindo daqui. E sabe de outra coisa, eu estou vendo uma baita cárie no seu dentão! Que papelão Seu Tubarão!”   

Disse Alzira insultada com o mau hálito tubaranesco e ainda não satisfeita, ligou a matraca continuou falando: 

- “Não existem mais tubarões bem educados no fundo do mar! Não se fazem mais tubarões como antigamente. Onde estão os seus modos seu Peixão? ”  

O tubarão foi ficando constrangido, fechou a boca, fez beicinho e falou baixinho. 

- “Sabe o que é Dona Sub-Sereia, eu vou confessar e te poupar.  Eu tenho medo de dentista e de isca.” 

- “Eu não ouvi... fala mais alto!” Disse Alzira toda provocadora. 

O tubarão repetiu ainda mais envergonhado... 

 - “Eu morro de medo de dentista, e tenho medo que uma isca caia na minha cárie e eu morra de dor de dente que nem um demente. Seria uma humilhação para qualquer tubarão, ainda mais o temido Tuba Não-me-Toque.” 

          - "Pois é, uma vergonha mesmo! Mas mais humilhante ainda é o senhor matar

               os pescadores com o seu bafão! Entendeu seu Tubarão?"   

O tubarão sacudiu a cabeça e suspirou fundo. Enquanto isso, Alzira abria a sua caixinha de pescaria e revirava tudo. Despejou na areia todo o seu equipamento de pesca: fecho de brinco, máscara de ornitorrinco, clipes de papel, anel, borrachinhas coloridinhas, rolhas, bolhas, agulhas de crochet, boné e, finalmente o fio dental!  

-  "Abre a boca Tuba!"

 O tubarão abriu um bocão jamais visto em Toque-Toque. Valente a Sub-Sereia amarrou uma borrachinha no fio dental e atirou com toda a sua força de menina que raciocina! 

- “Nhoc!” 

O tubarão fechou a boca no susto e mordeu a borracha pensando que era uma bolacha. A borracha tapou o buraco da cárie e a Alzira esbravejou: 

- “Peguei!” 

  Disse ela triunfante!  

- “Agora seu Tuba, trate de guardar o fio dental e usa-lo todos os dias! Hoje te poupei, foi seu dia de sorte!  Aqui fala a forte!”

O tubarão mergulhou e nunca mais foi visto nas águas de Toque-Toque.   Mas todos juram, que ele foi é pescado pela Alzira Zulmira com um fio dental e virou muqueca de quintal. Afinal quem conta é o João Pedrão, que não tem mais medo de tubarão, mas ainda tem unha de leão. Ele jura que viu com os olhos que a terra há de comer! Palavra de pescador.  Palavra de Napolitano!

A praia do Toque Toque existe de verdade, venha conhece-la!

TUBAROES  - Um site sobre tubarões

 

Alzirêz!  Confira as palavras que você não entendeu!

A Alzira brinca com mensages secretas!

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