Alzira Zulmira e o Descobrimento do Brasil *

Download o Real Player     Escrito e ilustrado por Kiki Hamann              Em breve ouça essa história em Real Audio

 

Dona Neusa era a professora de História da Alzira Zulmira senhora de meia idade, brava e ranzinza, dessas que as crianças pegam pinimba.

-“Peguem um lápis de qualquer cor e vamos à correção. Quem não acabou, paciência meus filhinhos do coração, que a Titia não zanga não, dá somente um beliscão !”

Todo o dia era a mesma ladainha, e a D. Neusa, cheia de gracinha, parecia uma rainha. E a Alzira pensava lá com seus botões:

-“Que palerma, não aguento mais tanta decoreba ! Será que a D. Neura não percebe que o Brasil é um país tão interessante e que assim estava ficando muito maçante ?”

-Neste momento uma vozinha de taquara rachada se fez ecoar e caiu feito uma pedrada nos ouvidos da nossa Alzira

.“Dona Alzira Zulmira, a senhora que esta aí pensando na morte da bezerra me responda com presteza, quem descobriu o Brasil ?”

-“Claro D. Deusa, quero dizer, D. Neusa. Quem descobriu o Brasil, foi Cabral, um criador de cabras Português. Mas o “X” da questão não é quem descobriu, mas COMO ele descobriu a Terrinha. Capisce, D. Neusinha?”

-“Capisco, D. Alzira e suponho que a senhora pode explicar para toda a classe como se deu este feito, pois tenho certeza que tem prestado atenção na lição e nos explicará tudo direito. Pode começar Alzira, sou toda ouvidos !”

Na classe não se ouvia nem mais um pio, todos esperando pelo grande desafio. De um lado D. Neusa Creusa, candidata mais cotada; do outro , Alzira Zulmira, candidata mais atacada. Façam suas apostas !

Alzira não se fez de rogada, e ainda corada, empinou o nariz escreveu com giz no quadro negro: “A VERDADEIRA HISTÓRIA DO DESCOBRIMENTO DO BRASIL, COMO VOCÊ NUNCA OUVIU”. Respirou fundo, e começou a contar com coragem, a mais pura verdade....

-“A Paula Matraca diz que em outra vida já foi Cleopatra; a Glória, a Rainha Vitória e euzinha, com toda minha modéstia fui a mola-mestra, com satisfação, do descobrimento da nação. Fui a fiel “caneteira”do Pero Vaz Caminha, aquele que caminha caminha e não gosta de sopa de letrinha.

Pois é, tudo começou no Tempo do Ronca, num país muito legal chamado Portugal. Os Portugueses que estavam cansados de tomar sopa de letrinha, resolveram fazer a feira lá nas Índias. Mulher, afinal, sempre entende mais desse negócio de tempero e as Índias tinham do bom e do melhor para fazer aquele feijão tropeiro. Os temperos deviam estar em promoção porque foram necessárias três caravelas para levarem tantos marujos de primeira viagem. Entre eles um jovem de coragem chamado Pedro Cabral, capaz de velejar como um vendaval.

No caminho para a feira os marujos, amantes da bola se distraíram ouvindo na radiola um jogo do Vasco da Gama, time de fama lá em Portugal. E não houve bússola, astrolábio ou palpite do Humberto que conduzissem as caravelas para o caminho certo.

Com medo de apanharem ao chegar, os marujos resolveram ir buscar os temperos em outro lugar. No desespero rezaram até a Ave Maria, pedindo que Nossa Senhora, exímia cozinheira, se compadecesse da besteira que haviam feito e que já causava dor no peito.”

Neste momento Alzira da uma conferida na platéia e com a sua voz mais bacana, declama:

-“SANTA MARIA, não PINTA nada para eu levar para a casa para a D. NINA, dizia Cabral. E foi essa sua prece que acabou dando o nome nas caravelas amarelas, aquelas do ovo de Colombo.

Nossa Senhora, comovida com a homenagem resolveu dar uma colher de chá para a Torcida Vascaína e num piscar de olhos, colocou as Índias numa terrinha verdinha, com muita lenha pra queimar e muita água pra rolar. Mas os marmanjos, inflamados pela discussão, não avistaram a tal “Terra Vista” , o primeiro nome do Brasil.” Explicava, cada vez mais empolgada, a garota marota.

-“Pero Vaz falou comigo assim :

-‘Sua Tupiniquim, vai arrumar o que fazer e escreva tudo o que ver. Eu te dou 10 mirréis se ficares quieta lá no convés !’

Ora bolas, 10 mirréis não dava para deixar passar... e foi lá do alto do convés que eu avistei a Pátria Amada, o segundo nome do Brasil, e com a voz embargada, esbravejei : Terra a Vista, e cheia de turista !

E assim, não só o Brasil foi descoberto mas a missão da expedição saiu-se vitoriosa tornando a comida Portuguesa bem mais gostosa. O Cabral, poucos sabem, foi o criador do famoso prato luso-tupiniquim a Buchada de Bode.

Pero Vaz, pero si, pero non, para não ficar atrás, deu a sua pitada de mestre e colocou a salsinha no bolinho de bacalhau, toque genial de um escritor fenomenal. Pouco tempo depois ele escreveria um livro de receitas chamado":

‘Em se Plantando Tudo Dá - o Tempero da Índias Tupiniquins”.

Lição aprendida, D. Neusa foi a primeira a bater palmas para a Alzira, afinal de contas não tinha como discutir com quem estivera lá . E como será que a Pátria Amada teve seu nome mudado para Brasil ? Ihhhh, achou melhor nem perguntar !

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* Nota da Autora:

Usei de licença poética ao escrever sobre o descobrimento do Brasil. A história tem a intenção de apenas divertir. Em se tratando das mentiras da Alzira Zulmira, muita coisa saiu da imaginação da personagem. As caravelas do descobrimento, por exemplo, eram 13. As referidas na história são na verdade as três Caravelas de Colombo. E é claro que Pedro Álvares Cabral não era um criador de cabras, Pero Vaz Caminha não escreveu nenhum livro de receitas, e o Vasco da Gama não era um time de futebol português !

Confira :  Cabralzinho Traz a história do descobrimento do País e aproveite a oportunidade para contar a verdadeira História para seus pequeninos.

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