Alzira Zulmira e uma Solução para o Afeganistão *
 Escrito e ilustrado por Kiki Hamann -  Em breve ouça essa história em Real Audio!   Download o Real Player
 

Ao sair do trabalho, resolvi dar uma passadinha na casa da Alzira Zulmira, para ver como andava, minha amiga mais enxerida.  Encontrei Ziroca, fazendo as malas na maior euforia e a família toda na maior correria. Dona Maroca rezava para Santa Efigênia, pedindo juízo para a sua pequena que estava fazendo a maior cena. Perguntei preocupado o que estava acontecendo. 

- “O que esta acontecendo é que a Alzira esta me enlouquecendo! Imagina que agora cismou que tem a solução para o conflito no Afeganistão!”

 Ela  me parecia realmente nervosa, então resolvi ir falar com a Alzira e tirar a limpo essa história, enquanto Dona Maroca mudava de santa e tentava agora Nossa Senhora da Glória....

 _ “Alzira, posso entrar?”

 - “Pode chegar meu caro, você já fez a sua mala?  Não temos tempo a perder, tem muita gente boa para a gente socorrer. Vamos pegar a próxima barca para o Afeganistão, que eu já estou cansada de ver tanta guerra na televisão.  Então pelo bem da novela, vou lá no Afeganistão dar um chute na canela daquele Ali Babá e convida-lo gentilmente a se retirar.” 

Ela parecia realmente determinada, e quando Alzira encasqueta alguma coisa na cuca, não tem quem a faça mudar de idéia.

 - Esta tudo errado naquela parte do mundo.... a começar pela Geografia, Caligrafia, Ortografia, Filosofia, Guerra Fria e ‘Atrofia da Cucafia’, minha Santa Sofia! Pega então uma caneta que eu vou ditar uma carta para as Nações ‘Reunidas’

 - “Pode começar a falar Alzira, sou todo ouvidos!” Disse curiosíssimo.

 - “Começando então pela Geografia que é muito confusa - é uma falta de criatividade só.  Veja bem que tró-ló-ló: Afeganistão, Aqui-estão, Aqui-não-sei-se-estão, Me-diz-se-estão, Talvez-não-estão... Ora, com os nomes tão parecidos eles acabam se confundindo e matando uns aos outros, e tudo acaba em biscoito”.

 Bem, não dava para negar, a Alzira tinha uma certa razão. Era boa a sua observação.

 - "Já entendi também porque eles ficam assim agindo feito uns dementes - Com  turbante de baiana na cabeça ficam todos de cuca quente.  As idéias ficam enroladas na touca, e os pensamentos não podem fluir com clareza, que falta de esperteza! Vão ganhar o troféu carretel, do povo mais enrolado do planeta. Eta Santa Julieta!

E não é só isso! Já reparou como escrevem?  Pois é ficam fazendo um monte de rendinha ao invés de escrever na cartilhinha.  Se eu ficasse desenhando ondinha ao invés de treinar Caligrafia, Dona Neuza, me botava numa fria.  Be-a-bá. Ba-bi-bi, Bó-bi-bó."

 E o tratado de paz da Alzira não terminava.  Isto é o que se pode chamar de uma menina com muitas minhocas na cabeça! Nesta altura, Alzira já empolgada, falava de cima do banquinho, já se sentindo uma autoridade nos conflitos mundiais.

 "As mulheres coitadinhas, vestidas de moita, ficam parecendo umas poltronas, não é atoa que sentam o cacete nelas. Então minha solução para a paz no Afeganistão é a seguinte:"

          "Senhores dirigentes das Nações ‘Reunidas’, vamos parar de fazer tanta festinha e dar mais atenção a confusão do Afeganistão.  Para começo de conversa, tiramos o seu “Hassim Hassado” de dentro do mato e usamos o dinheiro dele para a construção de  um Sambódromo Afegão.  Uma vez por ano todos terão  sua vez de se vestirem de Baiana, Ali Babá, Maomé, Mulher Rendeira e o que vier.  Vamos instalar barraquinhas para vender quibes, esfihas e tapetes para angariar fundos para os pagodes de fundo de quintal. Nada Mal!  Por fim, vamos levar o Joãozinho Trinta para desencapar as Afegãs, porque se Papai do céu quisesse que a mulher andasse assim tão coberta teria feito com que nascessem já  embrulhadas, não é mesmo? Então como vocês podem ver, é  tudo uma questão de cair na folia, e não de filosofia.

Assinado,

                    Alzira Zulmirallah"

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 * Nota da Autora:

Usei apenas de senso de humor para escrever um pouco sobre as notícias recentes que tanto tem atormentado nossas crianças. Não tenho intenção nenhuma em descriminar  tão rica cultura. Como explicar para os nossos pequenos, o que nem Deus entende?

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* Notas sobre o Afeganistão:

A roupa que as mulheres usam no Afeganistão que as cobrem da cabeça aos pés, chama-se "burqa".  Algumas usam por motivos religiosos, mas a maioria das mulheres é obrigada a usar a burqa contra sua vontade.

O Afeganistão é um país muito árido que fica na Asia.  A população é de mais de 25 milhões de habitantes.

A capital do Afeganistão é Kabul.

Menos do que um Afegão em cada três sabe ler.

As meninas Afegãs não poder ir para a escola.

As mulheres Afegãs não podem trabalhar.

Os homens que não tem uma barba longa podem ser mandados para a prisão.

(Times for Kids - News Scoop Edition - Oct 19 - 2001)

Vamos todos rezar pelas crianças e famílias Afegãs que estão passando muitas dificuldades neste momento!

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